Knackers

Um problema que incomoda…

Quem vive em Dublin sabe ou já ouviu falar do grupinho de adolescentes chamados de “Knackers”. Não encontrei definição para essa expressão no dicionário, mas é assim que eles são conhecidos e estão por todo lado, principalmente em Dublin e advinha só quem são os alvos preferidos deles ? Pois é, somos nós, os estrangeiros. 

Eles gostam de tocar o terror zoando as pessoas pela rua, com intuito de intimidá-las e quando você os enfrenta, aparece uma dúzia deles e geralmente agem com covardia porque não basta mais a gritaria e os xingamentos.

Eles não estão nem aí pra nada, vivem pelas ruas pedindo dinheiro ou cigarros independente da idade que tenham. É fácil identificá-los pois eles falam aos berros com o um sotaque “nasalado” irritante e se vestem quase todos que da mesma forma : roupas  de moletom cinza ou azul e tênis branco.

Beneficiários do governo, recebem uma bolsa na casa dos 1000 euros e não trabalham , ficam pela rua enchendo o saco das pessoas.  Várias vezes presenciei eles implicando , intimidando e atacando pessoas pela rua – arremessando ovos, objetos ou até mesmo  partindo pra cima –  não importa, o lance deles é perturbar e agir com covardia.

Sempre que me deparo com eles, procuro desviar deles, mudar de caminho , qualquer coisa pra não ter que cruzar por eles porque eles nunca estão sozinhos ( ainda que pareça que sim)  e sempre vai ter uma treta. E agora no período de férias está pior com crianças pela rua tacando bola de lama nas pessoas, roubando bolsas etc.

Ontem estava no ônibus  e um grupo de 3 meninas começaram a chutar o banco da frente , mexer no cabelo dos passageiros desse banco e as pessoas se limitam apenas a trocar de lugar sem falar nada porque eles são protegidos 99% das vezes pelas autoridades que não fazem nada. O máximo de penalidade que eles enfrentariam seria uma multa na faixa dos 300 euros.  Tem hora que dá vontade de partir pra cima deles, mas não é tão simples. E ai de quem tocar neles, vai se dar mal se for pego.  

Se for pego 😉

 

Dublin hoje cedo.

 

 

 

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“No pets allowed”

Quem tem um pet em casa sabe como essa frase pesa na nossa vida aqui na Irlanda. Sabemos que é mais difícil do que se imagina arrumar casas ou apartamentos que aceitem nossos bichinhos e quando encontramos, geralmente os aluguéis são bem mais caros.

Depois de muita procura, conversa com imobiliária, depósito extra, conseguimos um apartamento (duas semanas depois de chegar na Irlanda e um mês antes da Jujuba e Lola virem pra cá).

Um ano e meio depois, recebemos uma reclamação da administradora relatando que algum vizinho reclamou do latido, dizendo que perturbava a paz. Estranhamos, pois ela não late o dia todo. Instalamos cameras em casa e aconpanhamos o dia dia dela quando estamos ausentes (porque quando estamos em casa ela não late em momento algum) e notamos que ela late quando alguém passa na nossa porta mas é uma coisa normal pra um cão que está guardando a casa e não dura o dia todo.

Depois de uma conversa, foi combinado que se ela parasse de latir poderíamos mantê-la conosco. Ah, esqueci de mencionar que nessa reclamação eles exigiam que ” o animal fosse removido”. Partes da família não são removidos.

Enfim, a fim de sanar o problema, compramos um anti-barking e isso nos ajudou muito. Os dois primeiros dias a Jujuba latiu, mas quando o sensor era ativado ela parava na mesma hora de latir.

Compramos uma coleira também mas não chegamos a usar pois a “casinha” resolveu o problema por si só.

Ambos os produtos você encontra na Amazon e eu resolvi compartilhar minha experiência pois imagino que possa ajudar outras pessoas com um problema semelhante.

Até a próxima pessoal!

Fui no Brasil e…

Quando fiz a postagem de um ano na Irlanda, eu estava com tanta saudade de “casa” que eu tinha certeza que aqui não era o meu lugar. Não que eu já esteja me vendo “envelhecer” na Irlanda, mas depois da minha ida ao Brasil, alguns sentimentos foram mudando e eu estou me sentindo mais confortável  e feliz em estar aqui.

Sei que muitas coisas por aqui não funcionam como deveria, que o clima (quase sempre) dá nos nervos, que os “knackers” enchem o saco de vez em quando ( ou seria sempre ?) mas ter o direto de ir e vir preservado, faz toda diferença – principalmente quando se tem filhos adolescentes  –   que é o meu caso.

Ah, e como disse o meu amigo Athila S. no comentário da minha matéria de  Um ano na Irlanda:  ” aqui tem o burgão, os churrascos e os amigos”  e isso faz tudo ficar bem mais  fácil e feliz!

Então eu posso dizer que fui ao Brasil  e descobri que quero ficar por aqui mais um pouco 🙂

 

Um ano de Irlanda.

Essa semana completaremos um ano na Irlanda e eu parei para pensar um pouco sobre tudo que aconteceu, sobre estar certa ou não a respeito da nossa escolha , sobre como me sinto a respeito de morar fora.

Claro que muita coisa mudou na minha vida em um ano. Largar tudo pra trás : histórias, objetos, costumes, família, amigos  –  não foi uma tarefa fácil.  Não foi tão simples “resetar” a minha vida. Mergulhar numa outra cultura, outro país, outro idioma, clima… uma infinidade de detalhes tão diferentes do que eu tinha,  foi  –  e continua sendo  –  muito difícil pra mim.  Morar fora é uma decisão muito pessoal ( já abordei esse tema aqui anteriormente : http://bit.ly/2icyO34 ), que depende muito do que você deseja. Tenho amigos que vieram pela facilidade de viajar pela Europa, outros para fazer intercâmbio e adquirir experiência , outros para fugir da crise no Brasil, outros pela segurança e qualidade de vida ( que foi o meu caso) e por aí vai. Seja lá qual for seu motivo, cada um sabe o peso disso e o quanto pode aguentar.

Várias vezes eu já me vi colocando meus objetivos e expectativas na balança para me incentivar a ficar , porque eu confesso , não é tão  fácil pra mim viver por aqui. Sinto falta daquele sol quentinho no rosto, dos almoços de domingo na casa da minha melhor amiga, das idas à Serra visitar a família , dos cafés da tarde na amiga-vizinha, de contas em débito automático, dos depósitos com recibos, dos ralos no banheiro e na cozinha ( curioso? acesse: http://bit.ly/2viMej3) , de tomar banho a hora que quiser sem ter que esperar a água esquentar, da tv no meu idioma, de caminhar na beira da praia, dos médicos e da facilidade para fazer exames, dentre outros detalhes que pra mim, fazem toda diferença.

A Irlanda é bastante  segura, a qualidade de vida é ótima, tem  “unlimited card cineworld” ( que pra mim é o melhor de Dublin), tem reunião de brazucas , supermercado em geral é barato, chocolates gostosos e baratos, cerveja deliciosa, chuva e vento do kct ( essa combinação não permite o uso de sombrinhas) , tem a Penney’s ( paraíso para compras de roupas e tudo mais a um preço bem baixo), tem os europeus que gostam de passar dias sem banhos e que pedem desculpas por qualquer coisa, gritam no seu ouvido dentro do ônibus, te atendem mal nas lojas, tem a chuva , as contas chegam há cada dois meses (tem que torcer pra chegar se não voce se ferra), o simples fato de você ter uma TV te obrigada a pagar uma licença de 160 euros/ano (usando a tv ou não ), o ônibus param de circular às 23:30h, as lojas fecham às 18h , já falei da chuva??  – entre outras coisas.

Eu não vim com a intenção de viver “pra sempre” , a Irlanda é linda demais. Repleta de paisagens lindíssimas, apaixonante em vários aspectos – mas ela não é o meu lugar.

Um decisão é sempre tomada com o coração cheio de expectativas, cheio de esperanças em dias melhores.  Claro que às vezes a gente acaba decidindo errado e isso não é de todo o ruim porque ganhamos em aprendizado e amadurecimento.  Às vezes temos medo de tomar uma decisão e acabamos nos arrependendo. Eu prefiro colecionar aprendizados do que arrependimentos em não ter feito nada.

Seja qual for o meu destino no futuro, a Irlanda já  terá valido a pena pelas amizades que fiz aqui, pelo presente cultural que recebemos ao viver aqui , pelo aprendizado de vida, de idioma  e pelo fortalecimento de relações.

Esse post vai com a imagem do meu primeiro café em terras Irlandesas, o bolo de cenoura. Ficou curioso? Acesse :  http://bit.ly/2fsviRv

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Carrot cake

 

Cheers !

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Saúde na Irlanda.

Ultimamente eu tenho recebido alguns contatos querendo informaçōes de como as coisas funcionam por aqui em relação à saúde e esse é um assunto que deixa alguns brasileiros bem incomodados por aqui.

Particularmente, acho a saúde bem precária por aqui.  Se no Brasil você tem um plano de saúde, quando chega aqui fica chocado com o sistema de saúde irlandês, assim como eu fiquei. Aqui não existe saúde pública como a nossa (com exceção de quem tem o medical card – cidadãos europeus que se encaixem em algumas exigências, aposentados e crianças até os 6 anos de idade).

Agora começa a “treta” :  quando você precisa de atendimento, a primeira coisa a se fazer é marcar uma consulta com um GP – General Practitioner (o Clínico Geral), que geralmente cobra algo entre €50 e €70 .  Aí se o seu problema requer um profssional especializado, é ele que encaminha você para o especialista ( ele vai perguntar se você quer ir pelo sistema público ou privado). Se optar pelo público, a espera pode ser  bem longa  – estamos falando de meses – bem similar ao SUS. Claro que se for privado isso será bem mais rápido. Se o atendimento for urgente, você pode ir direto a um hospital , que geralmente cobra uma taxa de €100 ( que inclui exames caso você precise fazer).

Vale lembrar que se você passar primeiro pelo GP e ele te encaminhar ao hospital, você não paga a taxa de urgência (€100 ), paga apenas a consulta do GP.

Tem também a opção do seguro saúde, que são bem diferentes do nosso plano de saúde no Brasil e nem todos cobrem consultas com o GP , no máximo um reembolso parcial .

Esse seguro privado seria como um convênio médico ( semelhante aos planos de saúde) e ele garante uma cobertura mais ampla do que o Governamental.  Como eu moro aqui, acabei fazendo mas sinceramente não sei se valhe a pena. Por exemplo: exames, consultas, internação e alguns outros procedimentos são cobertos por esta modalidade.

Quanto custa: Em média, € 850
Validade: 1 ano
Onde comprar: Laya HealthcareVHI Health InsuranceAviva ou Glohealth
 

Serviços de emergência em Dublin:

Caso você precise de uma ambulância ou atendimento de emergência ligue: 999 ou 112.

Hospitais públicos de Dublin (localizados na região central)

Rotunda Maternity Hospital – Dublin 1

St. Joseph’s Hospital – Raheny, Dublin 5

Mater Misericordiae University Hospital – Dublin 7

St. James Hospital – Rialto, Dublin 8

Beaumount Hospital – Dublin 9

“Not to bad”

Vira e mexe alguém que está no Brasil me manda mensagem perguntando como está a vida aqui, se já me adaptei, se estou feliz etc etc.  Sinceramente, fico sem saber seu que responder  às vezes.

Não é tão fácil quanto parece, nem como nos filmes que as pessoas estão felizes e sorridentes o tempo todo.São muitos problemas a serem enfrentados todos os dias!

Por falar em problemas…

Sei que a saúde pública  no Brasil é uma merda e muitas vezes os planos de saúde também são (como eu sinto falta do meu plano de saúde!), mas experimenta precisar de médico na Irlanda pra ver como é complicado. Se você estiver passando mal você vai ao GP (nosso clínico geral do Brasil) e paga na faixa de 50€ a consulta. Se ele achar necessário vai te encaminhar  para o hospital ou para um médico específico e se achar necessário também pedirá algum exame (não sei quanto tempo demora).  Fazer exames de rotinas aqui, check-up só porque você tem o hábito de fazer, esquece! O sistema de saúde deles é bem estranho.

Essa complicação se estende a compra de remédios. Basicamente, a maioria deles precisa de receita do GP (aquele que você paga 50€).

Tem também o fuso horário e a correria que quando você se dá conta passou o dia ou vários dias e você não falou com a família/amigos no Brasil como deveria. Aí vem a sensação de abandono 🙁😕

Sério! Tem hora que me surpreendo com a passagem a jato do tempo, parece que você não fez nada mas só eu sei o quanto de coisas eu fiz em um dia.

Estudar ocupa quase meu dia todo e por falar em estudos, as escolas estão me tirando do sério com sua falta de discernimento, intolerância zero para atrasos. Me irrita ver um colega que perdeu o ônibus ou teve um imprevisto e se atrasou, não poder assistir a aula por alguns minutos de atraso (antes havia uma tolerância de 5 minutos de atraso).  Sei que normas são normas, mas se informe sobre o que pode e oque não pode na escola que você vai escolher porque por mais que você seja pontual, uma hora acontece um imprevisto e você vai ficar puto com essa regra porque  a maioria dos estudantes são  intercâmbistas e precisam comprovar presença. Pesquise sobre a escola quando decidir fazer seu intercâmbio.

Quando pergunto a algum irish como ele está, seja no mercado ou alguma loja  e me  respondem “Not to bad’ no começo eu achava super estranho mas hoje entendo porque me sinto assim na maioria das vezes … Você não tá bem mas também não está tão mal.

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Dublin hoje.

De graça é melhor!

Toda primeira quarta-feira do mês, é possível visitar galerias, museus, castelos,  monumentos históricos e parques, que estão abertos para visitação gratuita aqui na Irlanda. Que tal conhecer alguns lugares nessa quarta?

No mës passado eu conheci o Dublin Castle, que já é lindo por fora e o interior cheio de histórias e super bem conservado.

 

Curtiu? Vai lá nessa quarta e aproveite ! Ele fica na Dame St, Dublin 2

Cheers! trevo_3_folhas_simbolo_da_irlanda

Living abroad is not as easy as it seems.

Unfortunately it is not just happy experiences that one person faces, and that’s why I’m here now.I just had a really bad experience. I was on my way home on Dublin’s main street and somebody threw an egg in my face. I do not know where it came from or how it was. It was too fast and too painful. The first reaction was to scream because I felt frightened and it was really painful ( the egg hit my eye) and I cried until I had nothing to cry about.

It happened half an hour ago and It is still hard to say how I feel right now. I felt a mix of anger with disappointment …Living in another country is not living on vacation. Life is hard and prejudice against foreigners exists and actions like these are true examples

  • Be patient I’m still learning english.

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Collaborator:   Flavia Paci 🙂  Thank you 🙂

 

Morar fora não é um mar de rosas.

Não é só de experiências felizes que vive uma pessoa – pelo contrário – e é por isso que estou aqui agora.

Acabei  de ter uma experiência muito  ruim. Estava vindo pra casa pela avenida principal  de Dublin e fui alvejada  com um ovo no rosto. Não sei de onde veio, nem como foi. Foi rápido e doloroso demais. A primeira reação foi gritar com o susto e a dor  que senti (com o ovo batendo em cima do meu olho)  e chorar até não ter mais o que chorar.  Difícil dizer como me sinto nesse momento, cerca de meia hora depois do ocorrido. Sinto uma mistura de raiva com decepção…

Viver em outro país não é viver de férias. A vida é difícil e o preconceito com os estrangeiros existe e se faz presente em ações como essas.

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Ja tinha escutado alguns brasileiros nos fóruns comentando sobre esse fato, sobre a prática de xenofobia , não posso afirmar se foi isso que aconteceu comigo mas segue  a definição:

Xenofobia significa aversão a pessoas ou coisas estrangeiras.

O termo é de origem grega e se forma a partir das palavras “xénos” (estrangeiro) e “phóbos” (medo). A xenofobia pode se caracterizar como uma forma de preconceito. 

O preconceito gerado pela xenofobia é algo controverso. Geralmente se manifesta através de ações discriminatórias e ódio por indivíduos estrangeiros. Há intolerância e aversão por aqueles que vêm de outros países ou diferentes culturas, desencadeando diversas reações entre os xenófobos.

Triste! Mas vida que segue.

Bola pra frente!